quinta-feira, 23 de abril de 2009

Sim! Agora é Carlos Adão (?)


Em toda a São Paulo, e até no interior. Quem dos pobres mortais nunca viu esta "saga" escrita em muros pela cidade de São Paulo? Em qualquer lugar! Seja na rodovia Régis Bittencourt, em estradas para Osasco, Taboão da Serra, Minas Gerais! Até no Terminal Parque Dom Pedro, no Centro da cidade, relatos dizem ter visto uma mancha preta com as estilosas pinceladas em verde deste... Deste... Deste o quê? Será um artista de vanguarda inconformado com as questões de estética naturais? Será um maluco obsessivo pelo seu nome excêntrico? Será um "novo" candidato a alguma coisa? Enfim. É um candidato. São não sei a que se candidata.
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Esses dias fiquei abismado com a coragem do indivíduo. Vi uma destas pinturas ilustrando o asfalto da esquina da Avenida Paulista com a Rua Pamplona! Ali, no chão da rua, do lado esquerdo para quem vai no sentido Consolação.
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O interessante não é a inscrição, mas a moção que o nome causa: diversas pessoas escrevem Carlos Adão por aí. Surgiram inclusive novas vertentes de Carlos Adão. Alguns muros ostentam a sátira: "Sim, Carlos Adão". Outros são mais ousados: "Dance, Carlos Adão". Até mesmo originais: "Carlos Adão é ROCK!" Surgem perguntas pelo portal Yahoo, inclusive pelo Orkut sobre quem é a pessoa Carlos Adão, em suma. Há inclusive tutoriais na internet que ensinam como fazer o logotipo do tal C.A.!
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De político em político, esse ostenta um quadrado minúsculo onde escreve seu nome. Diferentemente dos candidatos que usavam muros inteiros até 2004, quando a prática foi proibida, tanto por motivos higiênicos, quanto de estética e, posteriormente, com a Lei Cidade Limpa. É difícil perceber um do Carlos, mas boa parte dos transeuntes que pesquisei, já viram em alguma parte da cidade, a placa preta com as inscrições verdes com o nome "Carlos Adão". Só falta agora render uma marchinha de carnaval. Há gosto para tudo nesta grande metrópole.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Atividade 4 de Fotojornalismo - O que é ser Criança?

Rendeu um trabalho interessante, onde a proposta foi mostrar que, além das crianças, os adultos também podem voltar ao passado. Só não me perguntem se ainda é possível achar Pirocoptero ou Dip'n Lik por aí porque não sei!

O vídeo pode ser visto no link

http://www.youtube.com/watch?v=X5t0zvMMaiw

sábado, 6 de dezembro de 2008

Por que "Cadê minha Variant?"

Dá saudades ao olhar para um dos últimos registros dela. Onde estaria? Num desmanche?


Um dia de domingo como qualquer outro, em que os velhos senhores saem de suas garagens com seus carros para uma caminhada pelos parques da cidade. Meu pai, um destes velhos senis e inconseqüentes, é um deles. Decidia retirar sua relíquia da garagem: sua há mais de 20 anos, aquela jóia já tinha destino na família. Já se tornava objeto de herança e, sendo eu o único habilitado e interessado na família a ter um carro, tinha fortes expectativas.


Onde eu estava mesmo? Ah, sim. Falando da garagem... Enfim. Eis que o senhor supremo da casa onde habito retira sua relíquia da garagem. Ao guiá-la até o Horto Florestal, na Zona Norte de São Paulo, ele faz um cooper (ou jogging, caminhada, pernada, que diabos for!), passa alguns minutos observando-a. Uma jóia que causava discórdias entre vizinhos, vítima de cobiça assustadora por bons conhecedores de automóveis. Não era difícil ver os outros senhores virando pescoços quando este carro passava pelas ruas. Já chegamos a encontrar bilhetes no limpador do pára-brisa, onde eram escritos recados do tipo: "Quer vender? Meu número é...", ou pessoas insistentes que nos abordavam nos faróis ou cobiçavam das janelas de seus VW Gol, Ford Versailles ou Fiat Tempra.


E aquele senhor, meu pai, cuidava do carro com esmero: como uma família, não faltava óleo, graxa, gasolina, ar nos pneus, lanternas originais, calotas ou mimos, como o famoso brasão do volante, com a inscrição em latim: "PAVLISTARVM TERRA MATER". Estocava peças em casa (das quais ainda temos), dentre pára-lamas, capôs, lanternas, lâmpadas de um e dois pólos, até um motor sobressalente! Também ostentava pintura bem feita, estofado renovado e os bancos originais... Não faltavam motivos para manter os olhos presos num veículo como esse. Mas agora sei o quanto isso pode ser um risco.


Naquela mesma manhã de um domingo, em fevereiro de 2008, este velho senhor que digo ser meu pai, costuma fazer suas rotineiras compras na feira e no supermercado. Na ocasião havia feito o caminho inverso, por estar mais próximo do último. "Daí restaria apenas comprar alguns vegetais na feira", pensava ele.


Dito e feito: com as compras no carro, foi à feira em seguida. Deixou o carro no lugar onde sempre estacionou há anos e, ao acreditar a rapidez de sua volta, o homem inteligentíssimo apenas tranca o automóvel. "Vou voltar logo, mesmo!" pensava ele.


Alguma mente "brilhante" já observava a ação há semanas. O gatuno provavelmente observava os trejeitos e truques para imobilizar o veículo. E não houve outra. Ao voltar com o restante das compras, o homem velho encontra apenas um espaço vazio onde estava seu carro. Conclusão: havia sido extraviado.


Não acompanhei o trajeto. Havia dormido tarde no sábado, me impossibilitando de acompanhá-lo, além dele fazer questão de companhia quando vai para lugares onde gosta da solidão. Ao acordar, arrumava a videoteca de meu computador e, de relance, percebia que meu pai retornara afobado e com sacolas nas mãos. Dali, ele partira para a delegacia. Fui saber do ocorrido apenas mais tarde, ao vê-lo chorando na garagem, exatamente no local onde ela era estacionada todo dia em que saía para passear ou para o serviço. Sua Variant (quase minha!) partia para nunca mais. Buscas fizemos, mas é impossível. Quantos galpões há na Zona Norte? Quantas favelas e quantos desmanches? Nem para a polícia: "Não achamos carros novos, quanto mais carros antigos", replicava um policial do plantão.


Mesmo sendo velha, estava inteira. Vejo o quanto a cobiça do ser humano é prejudicial, além da inveja, que assemelha-se à ferrugem quando domina um pedaço de ferro: destrói até não sobrar mais nada. E, o valor, mesmo sendo ínfimo, se considerar o mercado, era sentimental: um carro que vi bater por duas vezes e ser reformado rapidamente. Um automóvel que praticamente carregou toda minha vida, onde chorei, onde ri, onde apanhei e bati. Onde eu aprendi a dirigir! Até textos como esse saíram dentro daquele carro.


Se pudesse, manteria a Variant até que eu morresse. Nem imagino quanto valor ela teria daqui há muitos anos: um carro fabricado em 1973, com certeza será um achado no futuro, assim como os colecionadores estariam desesperados em busca de exemplares de um carro como esse: pois Brasilia se vê toda hora. Aí eu pergunto: Quantas Variant você vê por dia?


Ainda fico chateado quando vejo uma nas ruas. Observo os detalhes com suspeita, mas não dá para levantar nenhuma conclusão precipitada. Com isso, a indignação dos seres humanos possessivos, a expansão da inveja e do malogro alheio e a constestação, resolvi utilizar este título, exatamente. A lembrança fica, os erros foram cometidos e não retornam. Para tanto, deixo apenas o amargo gosto da indignação...


Mas, digo: Se fosse um Ford Gálaxie 1967 ou um Chevrolet Opala 1971, com certeza seria muito pior.